quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Quando a ficção se torna realidade


Essa semana, dentro das atividades extras da faculdade, realizou-se uma discussão sobre a eugenia no mundo atual. A base pra essa discussão foi o filme Gattaca - Experiência Genética. O filme aborda aspectos da "discriminação genética", num futuro não muito distante, em que as informações genéticas da pessoa eram utilizadas como parâmetro exclusivo de seleção de trabalho. Ou seja, os genes diziam se a pessoa era apta ou não para aquela determinada função. O filme é de 1997, no tempo em que o Ethan Hawke ainda era bonito, e o Jude Law não era conhecido. E isso me faz repetir uma frase feita: "a ciência (leia-se: o conhecimento) não é ruim, mas deve-se temer caso esse conhecimento caia em mãos erradas" (parece texto de Smallville...). Bom, eu vejo similaridades entre esse filme e as propostas segregacionistas do governo de Sarcozy, quando a Câmara dos Deputados franceses aprovou, ano passado, um projeto de lei em que se utilize um teste de DNA, de modo a restringir a imigração para o dito país. Estamos em 2009, pouco mais de uma década se passou, e o futuro não muito distante está mais próximo do que imaginamos.

6 comentários:

Claudio Ferro disse...

Excelente discussão essa.
Tudo bem... A idéia partiu de um governo francês... Esse povinho croissant (depois me perguntem porque eu detesto tanto os franceses)...
Mas tem toda uma questão sócio-econômica embutida aí, que vai desde a questão racial (e os franceses são tri-racistas, tanto que de todos os povos invadidos pelos nazistas, eles foram os que menos resistiram. parece até que gostaram da coisa). Passa também por questões de saúde pública, que é um dos maiores déficits das nações do mundo todo. Um imigrante com tendências genéticas a ficar "doente", pode ser "evitado", pois não gerará gastos para a máquina pública.

Claudio Ferro disse...

A eugenia também tem um lado muito pessoal, alimentado pela própria sociedade civil.
Imagine-se parte de um casal que está querendo engravidar. Se você tivesse opção de ter um filho sem saber o quadro genético da criança, às cegas como nossos pais e avós. Ou então pudesse saber - pelo seu médico - se aquela criança desenvolveria determinada mazela degenerativa rara, ou mesmo um câncer. Você, optaria por engravidar sem saber?

Ou um casal negro que tenha a escolha de "modificar" geneticamente seu filho(a), para que ele(a) nasça com cabelos lisos, pele um pouco mais clara e olhos verdes... O que eles fariam?

Bom que se tenha aberto essa discussão...

Valdir disse...

Imagino o dia em que esse negócio ficar popular e os pais brincarem com o DNA do filho como se fosse Lego.

Pior mesmo essa banalização da ciência e o fato ridículo - tratado em Gattaca - de que somente o DNA seria suficiente para descrever toda a complexidade humana.

Sim Sr Ferro, agora eu pergunto, por que voce detesta tanto os franceses? :D

Claudio Ferro disse...

Haha
Pois bem, Sr. Valdir

Basicamente, sou pelos rivais históricos dos franceses: que são os ingleses.
Não gosto nenhum pouco da postura dos franceses. Esse negócio de acharem que sofisticação vale mais do que classe.
Escargot? Mesmo caramujo... Foi gras? Fígado de ganso... E daí?
Os ingleses são arrogantes também, mas ao menos tomam chá. Não inventaram um nome diferente pra isso só pra dizerem que são melhores.

Respondi em parte. Se fosse falar tudo ia gastar muito espaço e fugiria da discussão aqui...

Ana Kelen disse...

E não é só isso!! (parece aqueles anuncios de TV Shop) Aqui no Brasil nós temos uma figura ilustre que era um eugenista. Quem? Quem? Monteiro Lobato! Ele escreveu uma obra "impopular" chamada "O Choque das Raças" ou "O Presidente Negro", romance de ficção científica, no qual um presidente negro era eleito nos Estados Unidos em 2228(!!!)
Aconteceu mais cedo do que ele previu...

Claudio Ferro disse...

Tá quase um Nostradamus... Errou por apenas 220 anos... rss